
3.1.10
Desleixo

31.12.09
Para além do verão...

16.11.09
Dias do Mar
De resto, do que pesquisei, só mesmo a "Estrtutura de Missão para os Assuntos do Mar" é que tem uma vaga ideia de ser o dia nacional comemorativo do Mar. Digo "vaga ideia" porque assim mesmo, o único programa comemorativo que está publicado é relativo ao ano de 2008...
Francamente gostava de saber quem se lembrou de escolher este dia, nesta época do ano para comemorar o mar. E também gostava de saber porque não se fez coincidir a comemoração deste dia com o Dia Europeu do Mar que se comemora a 20 de Maio, ou com o Dia Mundial do Mar que se comemora a 25 de Setembro, ou mesmo com o Dia Mundial dos Oceanos que se comemora a 8 de Junho. Talvez houvesse mais gente a dar por isso e talvez fosse possível comemora-lo com actividades marítimas como compete...
15.11.09
São Martinho para apreciadores
18.10.09
12.10.09
Uma surpresa nos resultados eleitorais
Para a câmara e assembleia municipal não ouve surpresas e o PSD venceu de forma folgada, mesmo com um novo candidato - Paulo Inácio que substituiu o actual presidente - José Gonçalves Sapinho.
Aproveitamos para deixar uma palavra de saudação aos novos responsáveis autárquicos de São Martinho do Porto na pessoa do novo presidente - Joaquim Clérigo, desejando um bom trabalho na freguesia de São Martinho do Porto e esperando que se altere também a atenção às sugestões e críticas que por aqui vamos deixando.
4.10.09
Haydn em São Martinho
Haydn Cello Concerto Rostropovich 1981
No ano em que se assinalam 200 anos sobre a morte de Joseph Haydn o Ensemble Contrapunctus vai percorrer cinco freguesias do concelho de Alcobaça com concertos onde exploram diferentes fases do compositor.
Os primeiros dois concertos deste ciclo têm lugar já este fim-de-semana, dias 3 e 4 de Outubro, em Maiorga e em S. Martinho do Porto. Em palco vão estar José Pereira e Arthur Soulès ao violino, Guenrikh Elessine ao violoncelo e Alexandre Delgado à violeta, os membros do Moscow Piano Quartet, desta feita com uma composição que abrange as mais diversas formações de câmara.
Os quatro músicos foram convidados pela Antena 2 para gravarem os quartetos para cordas de Haydn, um trabalho realizado durante este ano. É parte deste projecto que será agora apresentada em Alcobaça, num ciclo que se prolonga até Dezembro.
Amanhã, dia 3, o Ensemble Contrapunctus vai estar pelas 16h30 na Igreja de S. Lourenço, na Maiorga. O Quarteto em ré menor op. 9 n.º 4 (1770), Quarteto em mi maior op. 54 n.º 3 (1788) e Quarteto em dó maior op. 74 n.º 1 (1793) são as obras que compõem o concerto. Serão também estas as composições interpretadas no domingo, dia 4, na Igreja Paroquial de São Martinho do Porto, partir das 18h00. Os concertos têm entrada livre.
Os restantes concertos previstos no ciclo "Celebrar Haydn em Alcobaça" estão marcados para 7 e 8 de Novembro na Póvoa e me Aljubarrota e a 6 de Dezembro em Alcobaça.
in Gazeta das Caldas
Franz Joseph Haydn (Rohrau, Áustria, 31 de março de 1732 — Viena, 31 de maio de 1809) foi um dos mais importantes compositores do período clássico. personifica o chamado "classicismo vienense" ao lado de Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven. A posteridade apelidou este grupo como "Trindade Vienense". Para além disso é considerado como um dos autores mais importantes e influentes da história da música erudita ocidental com uma carreira que cobriu desde o fim do Barroco aos inícios do Romantismo.
1.10.09
Eleições autárquicas em São Martinho do Porto
As candidaturas e respectivas propostas poderão ser consultadas nos seguintes endereços:
PSD - Partido Social Democrata
PSD - São Martinho do Porto (blog)
Unidos por São Martinho do Porto (site)
BE - Bloco de Esquerda
Esperança! Força! Mudança!
Força Viva (lista de independentes)
São Martinho do Porto Força Viva
26.9.09
Gastronomia de São Martinho
É um facto reconhecido que São Martinho tem uma oferta de restauração bastante limitada. Pelos vistos, em termos gastronómicos a diversidade também é reduzida. Até nas coisas mais simples como umas sardinhas não é fácil encontrar com qualidade.
Em matéria de gastronomia, quer do ponto de vista dos pratos característicos, quer do ponto de vista da restauração, São Martinho não tem muita variedade. Assim mesmo, em breve efectuaremos algumas referências e apreciações, esperando que possam provocar reacções.
22.9.09
"Os amantes da Baía"
Todas as manhãs corríamos à janela para ver se o tempo estava bom. Mas, enquanto chegavam notícias de que o país era banhado por um sol esplendoroso, São Martinho obstinava-se em ter uma bruma matinal, húmida e fria. "É um microclima", dizia o meu pai. É verdade que por volta do meio-dia desencadeavam-se uns ventos impiedosos que varriam as nuvens e clareavam os céus. Mas o vento instalava-se às vezes de um modo tão intenso que a boca se enchia de uma areia fina, os jornais voavam, os toldos voltavam-se sobre si próprios, as mães vestiam as crianças com casacos de malha. "É um microclima", comentava o meu pai. Mas gostávamos daquele jogo das escondidas com o calor e o sol. Gostávamos de andar com os pés a chapinhar ao longo da baía até chegar às dunas. Gostávamos da rua dos cafés, de subir até ao Facho, de ir a um bar na Nazaré ou de comer pão-de-ló em Alfazeirão, ou javali num restaurante popular da estrada para as Caldas. Gostávamos das mesas nocturnas onde a nobreza doutros tempos e a grande burguesia se lamentava das desgraças do 25 de Abril e chamava "crise" às tostas mistas com que alguns se alimentavam. Gostávamos de andar pelos montes, de ir à capela para ver o pôr do Sol.
excerto de um texto de Eduardo Prado Coelho publicado no jornal Público no dia 29 de Janeiro de 2004
Retomar a actividade no blog que nos aproxima de São Martinho do Porto...

No dia em que se inicia o Outono, sinónimo de reinício de rotinas, vamos recomeçar a actividade neste blog, agora que muitos de nós ficamos um pouco mais afastados de São Martinho do Porto.
Já agora, o Outono tem início hoje às 22h19m.
Este ano o Equinócio ocorre no dia 22 de Setembro às 22h19m. Este instante marca o início do Outono no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se por 89,79 dias até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Dezembro às 17h47m.
"Vai-te ao longo da costa discorrendo,
e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto donde o Sol ardendo
iguala o dia e noite em quantidade."
Lus.,II,63.
Equinócio: instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, corta o equador celeste. A palavra de origem latina significa "noite igual ao dia", pois nestas datas dia e noite têm igual duração.
in Observatório Astronómico de Lisboa
12.10.08
11.10.08
Novo elevador ajuda a melhorar acessos na praia
Obra de 860 mil euros permite a ligação da parte alta com a baixa de S. Martinho do PortoO elevador panorâmico, ontem inaugurado em S. Martinho do Porto, Alcobaça, pretende melhorar as acessibilidades na vila mas é também um espaço pensado para o turismo, onde não falta uma nova sala de exposições.
Os 83 anos de vida roubaram-lhe a vitalidade das pernas e, por isso, Aida Clérigo já não visitava a parte mais alta da vila de S. Martinho há muito tempo. "Até já perdi a conta ao número de anos que lá não vou", assegura. É ali que se encontra a igreja local e, por isso, é com mágoa que a moradora diz que, nos últimos anos, já nem à missa consegue assistir.
Ontem, tudo mudou na vida da octogenária. Colocou-se na fila, composta por dezenas de outros moradores, e fez questão de ser das primeiras a estrear o novo elevador panorâmico que, a partir de agora, liga o lado alto e o baixo da praia, melhorando as acessibilidades. Sobretudo dos habitantes mais velhos que, só com muita dificuldade conseguem vencer a íngreme rampa de calçada, alternativa ao agora inaugurado elevador.
Gonçalves Sapinho, presidente da Câmara, salientou a qualidade nas acessibilidades que a nova obra representa. Mas não só. Considerou que o posto de turismo, a funcionar no edifício do elevador, passa a usufruir de excelentes condições. E enalteceu a arquitectura, da autoria de Gonçalo Byrne, que permitiu ali criar outros serviços ligados ao turismo, como uma sala de exposições.
"Hoje é um dia grande para S. Martinho", considerou, sublinhando que "mesmo que as obras pareçam pequenas temos que ter orgulho quando constatamos que são bem feitas".
O elevador, integrado num espaço de quatro pisos, representa um investimento de cerca de 860 mil euros, comparticipados por fundos comunitários.
Faz parte de um conjunto de intervenções que a Câmara de Alcobaça projectou para tornar mais aprazível a praia que recebe, anualmente, milhares de turistas.
A segunda fase dos trabalhos, contou Gonçalves Sapinho, será a construção de uma nova avenida, paralela à linha de caminho de ferro e à marginal. A "Grande Via", como lhe chamou, pretende ligar a praia à Estrada Nacional 242. Será constituída por faixas de rodagem, nos dois sentidos, e permitirá a criação de uma bolsa de estacionamento com capacidade para quatro centenas de automóveis.
"Temos a percepção que irá resolver muitos problemas de trânsito e será, também, um grande avanço na melhoria das acessibilidades", considerou.
O autarca salientou ainda que o projecto de despoluição da baía tem dado passos importantes, lembrando que está já em execução a construção de uma nova Estação de Tratamento (ETAR), que pretende solucionar o problema dos efluentes suinícolas da região.
in Jornal de Notícias
foto retirada do Jornal das Caldas
29.9.08
Ciclovia coloca utilizadores em perigo


Quase clandestina

22.9.08
Outono

Desconfio que há por aí gente que quando vir esta fotografia não deixará certamente de sorrir. Há-de lembrar-se das bolas de Berlim, dos pastéis de nata, das tranças e de tantos outros bolos que terá comido em muitos Verões de S. Martinho.
Noutros tempos, a vendedora (quase todos a tratam pelo nome) trazia a caixa branca à cabeça. Com o peso dos anos veio o peso da caixa e há uns anos apareceu com este carrinho. A bola de Berlim não precisa da buzina para se fazer anunciar. A roupa branca e as crianças a correr para o carro chegam muito bem para ver a lata ao longe. A muitas conhece-lhes o nome, como já conheceu o dos pais. Pacientemente, vai puxando os tabuleiros e mostrando os bolos: "Areia não, meninos!". Despedimo-nos dela no final da praia, quase sempre "até para o ano".
19.9.08
"São Martinho do Porto", por Isabel Xavier
Em Setembro, então, S. Martinho era algo de inesquecível e o cinema ganhava particular relevância: apanhávamos limo, o que nos dava imenso trabalho, que púnhamos a secar na casa da Salette e íamos vendê-lo às cavalariças, só para ter dinheiro para ir ao cinema! Era muito mais como o "Cinema Paraíso" do que se pode pensar e, desculpem-me a ousadia, mas aquele pormenor que o Jales conta de passarem a segunda parte antes da primeira parece-me ser prova disso mesmo.
Nunca gostei de frequentar a praia da Foz - gosto de lá ir de Inverno - porque me parece que vou a andar pela rua das montras, mas em fato de banho, o que não me parece grande vantagem. Por isso mesmo, penso que as pessoas que iam a essa praia também olhavam umas para as outras, e talvez ainda com mais insistência, por se conhecerem de todo o ano.
Hoje não vou a nenhuma destas praias, mas por razões diferentes: à Foz pelas de sempre e ainda porque o banho lá é tramado, a S. Martinho pela nostalgia que me causa o facto de os meus pais já lá não poderem estar, como sempre estiveram, durante toda a vida, nos meses de Verão.
Já agora, a vida nocturna na Foz seria mais recomendável do que a de S. Martinho, naquele tempo?
Aqui nas Caldas sempre tiveram uma "dorzinha de cotovelo" pela frequência de elite que S. Martinho apresentava naquele tempo.
Aquela paisagem era (e é) linda, os passeios à capela de Santo António, memoráveis, os horários rígidos do banho, a compra dos bolos à Rosa, à Natália, à Iracema, a manutenção dos vizinhos de barraca durante uma vida inteira, a ida nocturna à rua dos cafés, com a indumentária apropriada a cada ocasião (de manhã roupão de praia, à tarde saia de praia, à noite toilettes mais sofisticadas), faziam de cada dia um ritual e isso é muito mais importante do que pode parecer à primeira vista.
Tudo isso se perdeu... S. Martinho era das poucas praias que, na nossa zona, tinha uma atmosfera própria, inconfundível e que quem lá ia não dispensava ano após ano.
Isabel Xavier
publicado no blog "Externato Ramalho Ortigão - Antigos Alunos"
"Nós fomos ao cinema em São Martinho", por João Jales
Sempre fui um indefectível adepto da Foz do Arelho, poucas vezes aqui vinha durante o Verão. Mas, nesse dia, surgiu uma boleia inesperada que me permitiu ir visitar meia-dúzia de amigos que lá estavam desterrados durante dois ou três meses. Felizmente a minha família nunca alugou casa em S. Martinho ou na Foz, nessa altura a vida nocturna de qualquer das localidades era para nós pouco apelativa.
Sendo o mais recente dos estabelecimentos de restauração, o Samar, onde estávamos, era frequentado por malta nova e veraneantes recentes. Os banhistas veteranos continuavam nos estabelecimentos tradicionais, na rua dos cafés. Aí a frequência era menos diferenciada, misturando gerações e grupos sociais, só o “Clube dos Betinhos”, situado na esquina dessa rua com uma transversal que subia a íngreme encosta, tinha o acesso reservado aos filhos dos novos-ricos, maioritariamente lisboetas, que chegaram a S. Martinho na segunda metade da década de sessenta. Mais ou menos ignorados nos locais “in” das Caldas (Casino, Azenha, Ferro-Velho), tinham aqui o seu pequeno mundo privativo. Os veraneantes mais antigos, maioritariamente alentejanos e ribatejanos, mantinham habitualmente uma relação mais descomplexada com a população local e com os caldenses, convivendo e misturando-se nos vários cafés e esplanadas existentes. Outro local nessa mesma rua, o “Delírio”, tinha um Rés-do-chão com pingue-pongue e bilhares (e até jogos electrónicos, a partir de 1971 ou 1972); e um primeiro andar, tenho ideia que reservada a sócios ou, pelo menos, a clientes habituais e mais velhos, que ali jogavam cartas. Como no Casino das Caldas, a maioria eram senhoras.
Num microcosmos tão pequeno como S. Martinho, em que o principal passatempo era olhar para os outros, os meus amigos não tinham muitos locais de encontro alternativos aos dos seus pais e o Samar era, neste início da década de setenta, um deles.
Enquanto tomávamos o café, o resto do pessoal começou a aparecer. O Luís sugeriu uma ida ao cinema para “matarmos” estas horas mortas até à meia-noite. Ninguém sabia qual era o filme, mas a noite, com “muita humidade no ar” porque “estava a cacimbar” (eufemismos que os veraneantes ainda hoje usam quando chove à noite, o que é frequente), tornava o conforto do cinema atractivo.
Mas a realidade era bem diferente já que, verdadeiramente, não existia “cinema” e muito menos “conforto”. O termo cinema refere-se normalmente a uma sala de espectáculos com as condições mínimas para a projecção e visionamento de um filme. O barracão onde me encontrei em S. Martinho do Porto não tinha nada a ver com isso: parecia uma velha arrecadação, com as paredes exteriores de cor amarelada, muito sujas, e com o interior forrado a madeira. Sentámo-nos numas duras cadeiras sem qualquer almofada ou forro. Soube depois que estávamos na “geral”. A parte de trás, a “plateia” propriamente dita, tinha sete ou oito filas com cadeiras um pouco mais confortáveis mas, como eram mais caras, não foi lá que ficámos.
- A diferença do preço do bilhete dá para beber uma imperial a seguir – explicou-me o Mário.
A inclinação do chão era insuficiente para garantir o integral visionamento do ecrã, sempre meio tapado pelas cabeças dos outros espectadores. Excepto para os da 1ª fila, que estavam tão próximo dele que poderiam usar a tela como lenço sem se inclinarem demasiado e até sem que ninguém desse por isso. Claro que ninguém o fazia, até porque a cor castanho-amarelada da tela sugeria que outros já a teriam usado dessa forma, muitos anos atrás.
Lembro-me de pensar que, mesmo a chuviscar, seria bem mais agradável estar lá fora, na esperança de uma troca de olhares mais prolongada com uma das garotas que se exibiam no cais ou nas esplanadas, mas o dinheiro do bilhete já era irrecuperável, pelo que decidi ficar.
Estranhei que, mal as luzes se apagaram, aparecesse imediatamente um bando de barulhentos índios a cavalo perseguindo várias caravanas que seguiam por um estreito caminho, ladeado por uma perigosa ravina, a uma velocidade vertiginosa.
A imagem era tão má que limpei duas vezes os óculos, julgando-os embaciados, mas não, era mesmo assim a projecção, nebulosa e com as cores muito desmaiadas. Ao longo da hora seguinte tivemos direito a muitos tiros, sangue e cavalgadas, o nosso herói impediu o massacre de toda uma família e salvou a donzela raptada pelos peles-vermelhas, com quem depois se casou. Tirando isso, tudo acabou em bem, com as palavras The End a sobreporem-se a um casto e longínquo beijo. Acenderam-se as luzes e preparava-me para sair quando fui informado que era apenas o intervalo. Intervalo? Outro filme? Pelo preço de um bilhete? Não estava habituado a esta generosidade no Chagas ou no Ibéria.
Fumámos um cigarro no estreito pátio exterior e regressámos, ao som de uma roufenha campainha. Desta vez o filme começou normalmente, com títulos, nomes e ficha técnica, mostrando uma família em dificuldades financeiras a ser ameaçada de ser expulsa das suas terras por um agiota de mau carácter. O banqueiro vilão era parecido com os actuais e, num ápice, executava a hipoteca e despejava a família. Esta decidia rumar para Oeste, com todos os seus parcos haveres arrumados numa caravana, em busca de melhor vida. Eu entretanto começara a protestar, já que os actores e as personagens eram os mesmos que nós víramos ser perseguidos, raptados e até assassinados pelos índios antes do intervalo: estávamos a ver a primeira parte do mesmo filme!
O Luís conseguiu acalmar-me com o argumento de que tanto fazia, ia acabar por ver o mesmo tempo de cinema e sair à meia-noite, hora de beber uma imperial. Afinal, passar o tempo da digestão do jantar era o objectivo da ida ao cinema… E, como eu podia facilmente verificar, mais nenhum dos espectadores que enchiam a sala estava incomodado com aquela pequena inversão na projecção. E filosofou:
- A ordem pela qual a história é contada é arbitrária e indiferente, o banqueiro fica com o Rancho, a família melhora de vida com uma propriedade maior e melhor no Oeste, os índios são todos mortos pelo cowboy e os heróis casam. Que importa que tudo isto aconteça na primeira ou na segunda parte?
João Jales
publicado em "Externato Ramalho Ortigão - Antigos Alunos"








