22.11.07

Sinais urbanísticos contraditórios...

Há muito que me choca a evolução urbanística na Vila de São Martinho do Porto. Choca-me e entristece-me. Não por qualquer espírito mais conservador ou imobilista. Não!

Acontece que ao longo de anos a fio, São Martinho foi alvo de sistemáticas agressões à sua qualidade e equilíbrio urbanístico. São Martinho é hoje, infelizmente, um aglomerado urbano de qualidade arquitectónica e urbanística muito degradada.

Primeiro na marginal, depois no interior, na zona alta e mais recentemente entre a capela de Santo António e o Facho, tudo foi minado por construção e mais construção, desrespeitando urbanisticamente e até ambientalmente a Vila de São Martinho e a sua paisagem.

Ao fim de muitos anos e muitos atentados já referidos, finalmente, a intervenção de requalificação da marginal constitui um sinal de esforço de contrariar a tendência de degradação já referida.

Vem tudo isto a propósito de duas notícias de hoje. Curiosamente de sinal contrário.

O conjunto de apartamentos em má hora construídos no Morro de Santo António foi alvo de uma autorização para a alteração de uso, passando de apartamentos turísticos para habitação. A única solução é a demolição!

Interessante é a notícia de que o Hotel Parque, infelizmente fechado e a degradar-se, foi alvo de uma decisão da câmara de Alcobaça que lhe confere maior protecção. Espero que ainda se vá a tempo de salvar este magnífico edifício e de o devolver a um uso adequado à sua notabilidade.


António Prôa

Festa de Natal em São Martinho do Porto

A Assembleia de Freguesia reunida extraordinariamente para o efeito, no passado dia 16 de Novembro de 2007, aprovou por unanimidade a proposta, para que a freguesia tenha uma Festa de Natal para as suas crianças.

A Festa de Natal será realizada no Pavilhão Gimnodesportivo no dia 16 de Dezembro, e terá inicio pelas 15h30m.

Uma boa iniciativa!

Naturalmente que este evento, mesmo tendo sido uma proposta da iniciativa de um partido, não será abusivamente utilizado politicamente...


António Prôa

12.11.07

Uma oportunidade perdida


Este é o "programa das festas". Literalmente. O programa das festas de comemoração do "São Martinho" de 2007.

São Martinho do Porto tem o momento alto de actividade social, económica, cultural e turística durante o mês de Agosto quando a enorme afluência de veraneantes invade a Vila de São Martinho dinamizando a vida local, gerando riqueza, provocando animação.

Durante o mês de Junho, a propósito das comemorações de Santo António, cuja insignificante mas marcante capela se encontra a caminho do Facho, a Vila de São Martinho volta a ter alguma animação durante cerca de uma semana com vários eventos, a feira e o momento alto das festas – a procissão em honra do Santo popular.

O "São Martinho" é outra ocasião em que a Vila de São Martinho pode encontrar pretexto para criar animação de vária índole de forma a atrair público.

Ora, o programa das festas de São Martinho de 2007 é pobre. Muito pobre. Não serve para atrair ninguém. E seguramente que os residentes de São Martinho do Porto merecem e querem melhor.

São Martinho do Porto precisa de contrariar a extrema sazonalidade da sua actividade turística que dinamiza a economia local e gera riqueza para os seus residentes. Para tal precisa de encontrar eventos atractivos ao longo do ano. O "São Martinho" é uma oportunidade até agora perdida...

7.11.07

S. Martinho do Porto recupera glamour de outros tempos (*)

S. Martinho do Porto é daqueles locais de encantos únicos, com a baía em forma de concha, a preencher todos os requisitos desejados pelos veraneantes, desde as águas límpidas e calmas à areia fina e dourada. Por estes motivos e também por estar próximo das termas de Caldas da Rainha, foi, ao longo dos séculos, procurado, sazonalmente, por reis e rainhas. Os burgueses e aristocratas que procuravam a baía construíram imponentes casas senhoriais, com pormenores de grande requinte. Um glamour que se perdeu nas últimas décadas, mas que se procura agora recuperar.

O Hotel Palace do Capitão é o exemplo mais sublime do regresso ao charme de outros tempos. Património municipal desde 1996, o edifício tem a marca do conhecido arquitecto Ernesto Korrodi. O palacete, transformado em hotel e casa de chá, foi construído em 1917 para o famoso capitão Jaime Granger Pinto, ao estilo Arte Nova. Com o passar dos anos, foi mudando de mãos, até que saiu da família. Em 2000, o empresário José Luís Fortunato adquiriu-o com a intenção de o transformar em hotel.

Os anos seguintes, recorda a filha, Tânia Fortunato, actualmente gerente do espaço, foram bastante difíceis. "É muito complicado recuperar edifícios deste género, uma vez que os projectos têm de passar pela Câmara, Direcção-Geral do Turismo e Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. São passos burocráticos longos e acaba por ser mais rentável construir de raiz", lamenta a responsável.

Só em 2005 foi feita a inauguração. O espaço exterior foi recuperado e mantém os traços originais, enquanto no interior a decoração clássica e romântica procura criar um ambiente acolhedor e familiar. Para Tânia Fortunato, o Palace do Capitão é, sem dúvida, "um hotel familiar". "Como temos apenas 11 quartos, todos decorados de forma diferente, e não temos feito publicidade, as pessoas vêm, gostam e acabam por regressar, recomendando aos amigos", conta. O negócio tem vindo a florescer e até já "há pessoas em lista de espera". Em Agosto, o edifício recebeu o prémio de arquitectura Eugénio dos Santos, atribuído pela Câmara de Alcobaça, pela forma como foi recuperado.

Carlos Bonifácio, vereador do Urbanismo, explica tratar-se de "um prémio pelo trabalho realizado e de um incentivo para outros empresários seguirem o exemplo". "S. Martinho não pode voltar a ser o que era, uma vez que os tempos são outros, mas pode recuperar o título de estância turística", considera. O autarca refere que "com a delimitação do centro histórico, está encontrado um instrumento jurídico que proteja toda essa zona. As obras serão, assim, vigiadas e fiscalizadas com maior rigor".

A estas regras juntam-se a intervenção paisagística, já concluída na marginal, a construção do elevador e a mudança do posto de turismo, com a consequente recuperação da praça engenheiro José Frederico Ulrich. Mudanças para melhor, que atraíram este Verão mais turistas à vila. O optimismo é visível e pode acentuar-se com a classificação, para breve, de outro edifício, actualmente em ruínas, o Hotel Parque.


Dos monges de Cister à construção de navios

Todo o território a Sul do Convento de Alcobaça foi entregue aos monges de Cister em 1154, pelo que coube a estes o povoamento da região, incluindo S. Martinho. A vila foi reconhecida por D. Afonso III, em 1257. A sua riqueza, sobretudo ao nível da água e da floresta, fez nascer uma povoação piscatória. A madeira começou a ser aproveitada para construção de navios. Já no século XIX foi um importante porto comercial.



Baía das marquesas e a decadência no século XX

A fama da praia atraiu reis e outras personalidades. Nesta vila, viveram a rainha Santa Isabel, D. Leonor de Aragão e D. Leonor de Bragança, assim como D. Amélia e D. Carlos. S. Martinho perdeu a importância piscatória para ganhar importância turística. Em meados do século XX, a riqueza deu lugar à decadência, à semelhança do que aconteceu por todo o país, e muitas pessoas acabaram por emigrar. Nas últimas décadas, com a recuperação da vida económica, a vila volta a ser procurada por uma certa burguesia financeira. Alguns edifícios desses tempos áureos ganham nova vida, outros já deram lugar a prédios.


(*) in Jornal de Notícias, 2007-11-07

11.10.07

Hotel Palace do capitão galardoado com o prémio “Eugénio dos Santos” (*)


O Hotel Palace do Capitão, situado na Avenida Marginal de São Martinho do Porto foi o vencedor na categoria de edifícios recuperados, do Prémio de Arquitectura “Eugénio dos Santos”, instituído pelo Município de Alcobaça em 2005.

Os prémios, distribuídos pelas categorias, “A edifícios novos” e “B edifícios recuperados” têm o valor pecuniário de cinco mil euros, sendo no primeiro caso entregue ao arquitecto, e no segundo ao proprietário.



Este prémio, com carácter bianual, tem por objectivo premiar proprietários, promotores e arquitectos, que assumam a genuína preocupação em desenvolver a qualidade da construção de raiz, bem como a recuperação de edifícios, uma forma de valorização e salvaguarda do património no Concelho de Alcobaça.

Para o vice-presidente da Câmara, este prémio vem provar que a arquitectura nacional está no bom caminho, uma vez que os arquitectos estão a apostar na qualidade, “estando criadas as condições para que este prémio venha a ser um evento com marca no Concelho de Alcobaça”.

Durante a cerimonia de descerrar da placa do galardão atribuído pela edilidade, também Gonçalves Sapinho fez questão de frisar que “a qualidade do património recuperado e que deve continuar a ser recuperado”.

Segundo o autarca “nenhum afortunado deve aparecer aqui para deitar abaixo para construir, porque a principal diferença está na recuperação os edifícios históricos de São Martinho”, afirmou.

Este projecto de recuperação do arquitecto Sousa Lopes e desenvolvido pela empresa Fortunato Construções, deu lugar a um Hotel de Turismo Rural, gerido pela empresa Fortunato Imóveis, cuja sócia gerente do Hotel Palace do Capitão, é Tania Fortunato, filha do casal que gere a empresa mãe, de construções.

A jovem empresaria que durante esta cerimonia foi também a voz dos seus clientes, pediu ao executivo camarário para serem fiscalizados e revistas as posturas, e locais de vendas ambulantes na Avenida Marginal, já que “muitos clientes queixam-se da perda de vista com demasiados e inoportunos chapéus de sol”. Também a “falta de casas de banho públicas e a falta de locais para estacionamento” são outras queixas apresentas à gerente do hotel que as transmitiu publicamente a Gonçalves Sapinho.

Para tentar minimizar esta última queixa a empresa proprietária do Hotel adquiriu um espaço bem perto do espaço para ai ter um parque de estacionamento privativo.

A recuperação deste imóvel que “andará nos 500 mil euros” deverá ter em breve um apoio, quando for autorizada a recuperação do edifício Duque de Loulé, também em São Martinho. Este futuro espaço deverá ter dez apartamentos e um restaurante de apoio ao “negócio da família”, como fez questão de frisar, Tania Fortunato.

O Hotel que foi comprado em 2000 pelo construtor, é datado de 1917, tendo sido iniciado o seu processo de recuperação em 2003, estando aberto ao público, já lá vão dois anos.

O significado de receber este prémio, “é gratificante pelo reconhecimento de muitas lutas e muitas burocracias que passamos até nos deixarem fazer a recuperação e até à abertura como Hotel”, desabafou a jovem empresaria.

O pai da jovem também tem o mesmo sentimento de gratidão, acrescentando ainda que “é reconhecimento e recompensa merecidas para quem vem à Marginal reconstruir casas em vez de as deitar abaixo”.

José Fortunato que teve a ideia de criar a empresa ligada ao lazer e turismo “para os filhos” ainda gostaria de construir um silo automóvel na vila, tarefa que até agora “não foi possível por não ter conseguido arranjar espaço suficiente”.


(*) in Jornal Região da Nazaré, 15Set2007

1.10.07

Nós por cá...


Depois de uma intervenção integrada na marginal de São Martinho do Porto que a modernizou, ordenou e qualificou, este poste mais uns armários bastidores de eletricidade, telefone e mais o que mais seja, mantêm-se vai pra dois anos mesmo no meio da nova entrada das embarcações. Não só a entrada está obstruída como o passeio está por acabar

É um caso típico de descoordenação entre entidades que utilizam o espaço público.

Não sei quem tem a culpa. A Câmara Municipal de Alcobaça? A EDP? Certo é que é uma imagem lamentável de incapacidade de fazer as coisas do princípio ao fim...

Prolongamento do passadiço entre São Martinho e Salir do Porto*


A Câmara Municipal de Alcobaça (CMA) reuniu na passada sexta-feira, 14 de Setembro, com o INAG – Instituto da Água, tendo um dos assuntos discutidos sido o prolongamento do passadiço das dunas para fazer a ligação de São Martinho do Porto a Salir do Porto.Foi consignada a empreitada de ligação entre as duas margens à empresa Construções Aquino & Rodrigues S.A, sendo o valor da adjudicação de 68.091,54 euros. A obra de construção do passadiço foi inaugurada no Verão de 2006 e, desde logo, a CMA fez ver, junto do INAG, que não fazia sentido inexistência de ligação entre as margens. A empreitada terá assim como objectivo completar o passadiço da praia de São Martinho e ainda a ligação da ponte pedonal sobre o rio Tornada à rampa junto ao parque de estacionamento de Salir do Porto, com a colocação de chulipas em madeira e bancos, assentes sobre o areal.Os trabalhos agora contratados terão uma duração de um mês.

(*) in Jornal Oeste Online


Será que esta é a obra que ligará todo o passadiço da praia? Ou a intervenção é apenas em Salir?Não se compreende porque é que o passadiço existente é interrompido a meio caminho...

1.8.06

Da sua terra


Vista dos filhos da terra: www.pbase.com/pliborio/image/34333771


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16.8.05

CONCHA VAZIA

"As praias com brumas são para sensibilidades mais requintadas. As outras, sem nebelinas, estão talhadas para pessoas mais simples."



"(...) Depois, destaque para três álbuns muito bonitos.
A Baía de São Martinho do Porto, coordenação de Maria Cândida Proença.

São Martinho do Porto é uma praia de que se gosta muito, mas eu nunca consegui gostar muito. Acho muito triste, muito triste, muito triste...

Acha?

Acho. Sempre que lá fui, chovia ou estava o céu nublado. Mas dizem que faz parte do encanto

(...) "

Quer isto dizer que ao prof. Marcelo Rebelo de Sousa - a conversa de cima é dele, em 14 de Agosto, na rtp1 - falta, afinal, qualquer coisa. Fica-se pelo Guincho, que é mais simples de entender.

Decifrar sombreados mais intensos e complexos é saber que não falta, por exemplo, a Cecília Meireles:

"Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro,
esquecimento."

Quem sabe destas coisas, sabe que foi de S. Martinho que a Cecília escreveu isto.


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2.4.05

ENTRE PONTAS


“A concha de São Martinho do Porto, situada entre a praia da Nazaré e a lagoa de Óbidos, tem uma boca de 250 metros de largura. De um dos lados dessa abertura fica a ponta de Salir ou ponta de Santa Ana. Do outro a ponta de Santo António que está ligada, a norte, à ponta do Facho.

Sobre o monte do Facho acende-se uma luz.
Era ali que antigamente os pescadores acendiam fogueiras para assinalar a proximidade do porto.

A concha tem cerca de 1200 metros de diâmetro em baixa-mar, não excedendo a barra mais de quatro metros de fundura. Mas a um quarto de légua para fora encontram-se logo fundos de quarenta metros.

O assoreamento tem sido um problema da baía ao longo dos tempos.
Em 1815 o coronel Gomes de Carvalho apresentou um projecto de restauração do porto de São Martinho orçado em 32 mil réis.
As obras iniciadas um ano depois permitiram a atracagem de sessenta navios. Muitas obras foram a seguir levadas a cabo na baía, registando-se os projectos dos engenheiros Tibério Blanc e Mourão.

Conhecido ficou também o projecto de Bento Fortunato de Almeida de Eça, de Fevereiro de 1888, que tinha por fim desviar os rios Tornada e Alfeizerão para fora da concha por meio de um túnel através do monte de Salir, a terminar na costa numa extensão de 890 metros. Era uma obra que iria orçar em 88 mil réis.

Como se vê as preocupações não são de hoje nem os projectos actuais uma novidade por aí além..."

( De “Os Portos marítimos de Portugal, de Adolpho Loureiro, 1904)

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14.3.05

A CARAVELA

Vindo da rua do cinema ("Sonoro") passo o café do Frederico e a porta do "Delírio" antes de, mirando o café Carvalho, abordar o principado do Careca.

Mas não paro, sigo a curva do parque infantil e num ai eis-me no largo do turismo já com a rota desviada sobre a direita para na linha da casa dos rocha entrar no cais como deve ser:
puxado a bombordo, a sentir o rumor da baía sob o lajedo.

Galga-se o enfiamento do "cais de copos" e, passada a "colónia", já a barra desvenda o recorte do forte de São Romeu ao peregrino que, sabendo ao que vai, estuga o passo rumo ao regalo.

Ei-lo, o regalo!

Tem um nome que traz no bojo viagens e delícias: Caravela.

Depois, já abancado no convés, com a casa da alfândega - a minha ruína encantada - em mira, chega pela mão do lendário Álvaro, coração de gibão e gorra, a primeira imperial...

A seguir, em forma de pescado,a bem-aventurança.

Para me entregar mais do que era razão.


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6.9.04

IR A BANHOS. COM RAMALHO ORTIGÃO

“O presente itinerário, visto por Ramalho, sendo ao touriste destinado, é-o nomeadamente pela lateralidade a qualquer ligeireza à vol d´oiseau que caracteriza episódicos visitantes, de cata-troféus fotográfico em punho e coceira nas hormonas e na micose”

P. C. Domingues


Ramalho Ortigão inspirou-se no seu amor às coisas do mar no pioneiro que foi Jules Michelet e nos seus escritos La Renaissance par la mer (livro quarto de La Mer).

Na sua viagem pelas Praias de Portugal – Póvoa do Varzim, Granja, Vila do Conde, Figueira da Foz, Pedrouços, Cascais, Ericeira, Nazaré, Setúbal – Ramalho dedica um capítulo às “praias obscuras”,que descreve como”pontos adequados à instalação de uma família em uso de banhos”.
Ente essas “pequenas praias” refere como “particularmente dignas de menção” as de Âncora, Apúlia, Lavadores Furadouro, Costa Nova, Assenta, Santa Cruz, São Pedro de Moel, Porto Brandão, Alfeite, Fonte da Pipa e a de São Martinho do Porto.

Eis como Ramalho, à luz do Séc. XIX, viu a praia de São Martinho do Porto, que em meados do século seguinte viria a atingiu por entre névoas e ambiguidades um destino prodigioso:

“ São Martinho do Porto, na Estremadura, entre as Caldas da Rainha e Alcobaça.
É uma povoação de pescadores. Aluga por módicos preços vinte ou trinta casas mobiladas. Está ligada à Marinha Grande por um caminho –de - ferro americano, e comunica com as Caldas da Rainha, com Alcobaça e com a Batalha por uma boa estrada. A temporada em São Martinho do Porto presta-se às mais interessantes excursões artísticas que se podem fazer comodamente em Portugal.
São Martinho do Porto é principalmente habitado nos meses de Verão por famílias espanholas. As pessoas de Leiria , de Alcobaça, da Marinha Grande preferem a Nazaré. A viagem de Lisboa a São Martinho do Porto faz-se por Chão de Maçãs e Leiria ou pelo Carregado e Caldas, e custa mais ou menos uma libra por passageiro tomando lugar de primeira classe no caminho – de - ferro e prosseguindo na diligência do Carregado ou de Leiria.
Em Setembro do ano passado encontrámos em Mérida uma estimável família espanhola que chegava de São Martinho do Porto. Traziam cabazes cheios de excelente fruta de Alcobaça. Tinham-se provido para o seu Inverno de uma barrica de magníficos badejos, pescados em São Martinho e conservados em salmoura. Disseram-me maravilhas da cómoda e tranquila vida passada durante dois meses no agradável retiro que tinham tido a lembrança de escolher. “


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O nome



“ Uma pequena vila estendendo-se como uma curva da lua em torno de uma calma enseada”
Guy de Maupassant ( Via Errante)




“ O Bispo de Tours nasceu no ano de 316 na Panónia, actual Hungria, e faleceu em 8 de Novembro de 397 na cidade de Tours.
Foi um santo sublime e a sua biografia escrita por Suplicio Severo espalhou-se por todo o mundo romano e o seu culto tornou-se extraordinariamente popular.
A cidade de Tours tornou-se um centro de peregrinação onde acorria toda a gente dos diversos países, para venerar o túmulo de S. Martinho….

Supõe-se que por vontade do D. Abade de Alcobaça, D. Frei Estêvão Martins, seguindo a devoção dos monges cistercienses, em grande parte oriundos de terras gaulesas, foi este santo proclamado Padroeiro e Protector da Póvoa de S. Martinho, quando da concessão do Foral e Carta de Povoamento, em Junho de 1257, quando reinava El-Rei de Portugal Dom Afonso III, o Bolonhês…”

J Nunes dos Santos

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30.8.04

O ANTIGO PORTO EBUROBRITIUM

Segundo alguns escritores e citando um, Manuel Vieira Natividade, o mar, em tempos antigos, entrando pela foz do actual rio Alcoa (Nazaré), formava um vasto estuário, sendo a entrada defendida por uma ilha em que se erguia uma fortaleza.

O mar entrava rio estreito, hoje chamado, Ponte de Barca, estendia-se por uma enorme bacia até Alfeizerão prolongava-se ao longo da Serra da Cela, Bárrio, Vestiaria, até Fervença, onde, ainda em 1200, barcos vindos de Lisboa, carregavam madeiras e descarregavam géneros para os frades de Alcobaça, segundo refere um velho manuscrito.

Daí passava um pouco a poente da actual Maiorga, Valado e junto a este lugar formava uma curva, as Águas Belas, voltando para o monte de S. Bartolomeu e prolongando-se com ele até ao estreito por onde entrava.

Para o sul também se dava o prolongamento, o qual se devia estender por Caldas da Rainha até Lagoa de Óbidos, indo alojar-se na Várzea da Rainha, tendo saída para o mar pela Foz do Arelho.
Resultava desta disposição que o terreno constituído pelas Serra da Pescaria e Serra do Douro, formavam uma ilha, que mais tarde, pela abertura da passagem entre as actuais povoações de S. Martinho do Porto e Salir do Porto (Barra da Baía de S Martinho), se dividiu em duas.

As areias e detritos que se foram acumulando nos remansos, juntamente ás que o vento transportava causaram assoreamentos separando em duas bacias o vasto estuário, estando hoje reduzido à Lagoa de Óbidos e Concha de S. Martinho do Porto.

Convertido o estuário em campos, que desde a foz do rio Alcoa, se estendia até Fervença e Alfeizerão compensando assim o mar no seu recuo, as terras onde correra, em toda a extensão da costa, na largura de, talvez 2 km, desde os tempos da ocupação Romana.

A abertura da vasto estuário foi devida a um grande abatimento da linha das montanhas, paralelamente ao mar, produzindo um vale tifónico que, descendo abaixo do nível do mar, deu lugar a que as águas o viessem ocupar em toda a sua extensão aproximando-se do actual trajecto da linha férrea, desde as proximidades do Bombarral, até um pouco a norte do Valado de Frades.

As águas que saíam pela foz do rio Alcoa, quando se abriu o rasgão de S. Martinho do Porto (Barra da Baía), passaram, tal como aconteceu na ponta sul, também a fazer remansos e as duas bacias do Alcoa e Alfeizerão separaram-se, estando hoje a do Alcoa transformada em campos de cultura e porto de abrigo e a de Alfeizerão reduzida à Baía de S. Martinho do Porto.